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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LVMH COMPRA PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA DA HERMÈS


The Wall Street Journal - Paris

A LVMH Moët Henessy Louis Vuitton assumiu uma participação significativa na rival Hermès International, uma iniciativa ousada que pode reacender a consolidação no setor de artigos de luxo.

A LVMH, o maior grupo de produtos de luxo do mundo, com marcas como Louis Vuitton e Moët et Chandon, informou no sábado que acumulou 17% de participação na Hermès, a casa de moda francesa de controle familiar que está por trás das famosas bolsas Birkin e Kelly.

Bernard Arnault, o presidente da LVMH, já elogiou a Hermès várias vezes

A LVMH comprou uma fatia de 14% e informou que tem derivativos que podem ser convertidos em mais 3%. O custo total da participação é de 1,45 bilhão de euros (US$ 2 bilhões), de acordo com a empresa.

A compra de participação suscitou imediatamente questões sobre as intenções de longo prazo da LVMH, cujo presidente do conselho, Bernard Arnault, tem elogiado a Hermès e nos últimos dois anos sinalizou o interesse em aquisições.

A LVMH é conhecida por sua fome de aquisições, tendo no passado tentado adquirir grandes rivais, como a italiana Gucci, e grifes menores como Fendi e Donna Karan.

Em um comunicado, a empresa descreveu a aquisição como amigável. A LVMH informou que não faria uma oferta de compra, não tentaria controlar a Hermès ou pedir um assento no conselho.

"O objetivo da LVHM é ser um acionista de longo prazo da Hermès e contribuir para a preservação dos valores familiares e franceses que são o coração do sucesso mundial dessa marca icônica", informou a empresa.

A LVMH acrescentou que apoia a estratégia e a diretoria da Hermès. A empresa se recusou a fazer mais comentários.

Ainda assim, a participação pode ser uma forma para que a LVMH coloque um pé na porta da Hermès, de olho em uma eventual compra do controle, disseram analistas.

"Isso realmente parece uma forma para que a LVMH fique na posição mais vantajosa para uma futura aquisição da Hermès", disse o analista do setor de artigos de luxo da Sanford Bernstein Luca Solca. "A LVMH está muito no 'luxo de massa' e a Hermès pode complementar isso com um foco mais exclusivo."

Vários descendentes da família Hermès controlam 72% da empresa; o resto é negociado na Bolsa de Paris, onde a ação atingiu recordes de alta nas últimas semanas, com especulações de que a empresa poderia ser comprada ou que uma parte da família poderia vender sua participação. O valor de mercado da Hermès é de 18,6 bilhões de euros. A LVMH conseguiu acumular sua participação por cerca de metade do valor de mercado da Hermès, graças ao uso de derivativos, de acordo com uma pessoa familiarizada com a situação.

O setor de produtos de luxo ficou na maior parte dormente em termos de aquisições desde que uma onda de consolidação há dez anos deixou muitas empresas — inclusive a LVMH — carregadas de grifes que custaram caro mas têm fraco desempenho.

Em um dos maiores negócios, a LVMH fez uma oferta hostil pelo Gucci Group, em 1999, mas acabou perdendo para o grupo de varejo francês PPR SA.


Os alvos mais desejáveis têm sido considerados inacessíveis para os compradores — principalmente porque eles estão nas mãos das famílias fundadoras.

A Hermès e a joalheria italiana Bulgari SpA são ambas controladas por famílias, embora uma porção das suas ações seja negociada no mercado. A francesa Chanel é uma empresa de capital fechado que pertence à família Wertheimer. O estilista italiano Giorgio Armani é dono da grife que leva seu nome.

A LVMH tem recursos para fazer uma grande aquisição. Sua dívida diminuiu nos últimos anos, acompanhando o aumento do lucro. Além disso, o setor de luxo se recuperou fortemente do desaquecimento do consumo durante a crise econômica.

A Hermès saiu da crise ilesa, e as vendas estão crescendo, com alta de 23% no primeiro semestre, para 1,1 bilhão de euros.

Arnault muitas vezes elogiou a Hermès por sua imagem. Ainda assim, a Hermès opera de uma forma muito diferente da LVMH e das mais de 50 marcas desta. A Hermès se expandiu em novos mercados cuidadosamente; a Louis Vuitton muitas vezes se gaba por ter sido a primeira a abrir lojas em países como a China e a Índia.

As fábricas da Hermès normalmente sofrem atrasos na produção, enquanto as da LVMH são conhecidas por ter uma cadeia de suprimento muito eficiente.

Mais de 200 membros da família Hermès — quinta e sexta gerações de descendentes do fundador Thierry Hermès — controlam a empresa. Desde a morte do ex-diretor-presidente e membro da família Jean-Louis Dumas, no começo deste ano, cresceram as especulações de que alguns membros da família poderiam vender suas participações.

Mas o diretor-presidente Patrick Thomas disse no mês passado que a família continua unida e não tem interesse em vender toda a empresa.

5 comentários:

Mayara disse...

Uma potência a LVMH, está aos poucos dominando todo o mercado de luxo mundial das grandes grifes.

Marketing disse...

Não poderia deixar de comentar essa matéria...Bernard Arnault não ficará satisfeito enquanto não tiver o controle da maioria dos seus rivais...A LVMH se tornou um conglomerado imbatível e super poderoso....Essa história vai longe ainda!
Parabéns mais uma vez Luís Henrique.
Abraço.

Luiz Flávio disse...

O homem é poderoso e muito inteligente, isso sim!
Não é a toa que ocupa o cargo de presidente da LVMH até hoje.

Gustavo disse...

As grandes empresas estão com o seu capital na Bolsa de Valores.
É a roda da fortuna do compra e vende, e de quem dá mais prá ter o poder acionário da outra.
Me lembra aquele jogo da minha infância: "Banco Imobiliário" kkkk
É isso aí!

Herbert disse...

Business is business. That's all!!