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sábado, 27 de dezembro de 2008

SÃO PAULO POR WASHINGTON OLIVETTO


Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York.

Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade.
Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.

Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.

São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro,Lisboa no Pari, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.

São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo,como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país.

Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas.

São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês,um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.

São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido 'o mais querido'. Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras.

São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.

São Paulo já foi chamada de 'o túmulo do samba' por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.

Em São Paulo se faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.

Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror
Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta.

São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.

São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo.

São Paulo se poluiu visualmente com a CowParade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa.

Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa.

Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima.

Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem.

Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.

São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.

São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.

E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.

São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas.

Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais.

Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada.Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor.

Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro. O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!

7 comentários:

valeriacarvalho disse...

Feraaaaaaaaa.... amei teu conhecimento , tu realmente explora a inteligencia dentro de ti , amei tuas matérias Parabénsssssssss beijim

Roberval disse...

Parabéns a Washington Olivetto pela sua visão de lince e recursos metamorfoseados usados na definição de São Paulo! Realmente, sua beleza é "sui generis" Nada igual!!
"Laissez-faire", mas vejo são paulo semelhante ao mel,um pouco de tudo e de tudo um pouco. Assim, as abelhas colhem o néctar segregado por diversas flores e frutos e daí elaboram o mel.É São Paulo!
Parabéns Luis pelas boas-novas!
FELIS ANO NOVO! 2009

Sonia Cafezinho disse...

Ich bin sehr begeistert von diesem Text denn schon seit langer Zeit suche ich genau das um meine Sao Paulo zu beschreiben.
ich würde nichts ändern, genau so habe ich immer im meinem Herz gefühlt.Ich habe Sehnsucht beim lesen bekommen, bald muss ich Sao Paulo wieder sehen.
Ich gratuliere Herr Olivetto und wünsche viel Erfolg.
Gruß..
Sonia Schneider

Cris Granado disse...

Olá a todos

Adorei o “Escaneamento” feito desta Cidade, na qual “tudo se tem, como nada também”.
Os contrastes desta mega metrópole não só se destacam nos seus recursos e edificações, mas principalmente, nas Divergentes características comportamentais dos indivíduos que aqui “Residem” ou “Lutam!!”.
“Os Paulistanos ou os “agregados” formam pequenos “clãs”, nos quais os mais abastados se “Fecham”, os emergentes se” Escancaram” e os mais necessitados se “unem e solidarizam”.
Tema bastante complexo e de grandes reflexões!!

Um beijo.

Cristina Granado
06/01/09

Beth Oliveira disse...

Oi querido !!!!
Só vc mesmo poderia nos trazer, com tamanha seletividade e nobreza, uma matéria sobre São Paulo. Me fez lembrar nesta associação/dissociação de outras tantas lindas cidades do mundo. E com muita satisfação.
Meu lindo, vc não existe !!! É uma matéria especial !!
São tantas emoções.. já dizia o Roberto Carlos... vc me emociona e me faz feliz !!!
Lindo Luís... vc é encantador !!!!

FELIZ ANO NOVO... CONTINUE ME PRESTIGIANDO SEMPRE COM SEU ESTILO PERSPICAZ E DIVINO !!! FICA COM DEUS !!!

B E I J O S, SOMANDO TODOS OS QUE JÁ LHE ENVIEI E OS QUE TB, EM PENSAMENTO, EMITI COM MINHA ENERGIA DE LUZ !!!

Krys disse...

Querido,seu blog perfeito como sempre....amoooooooo!!!!!
Bjs

Anônimo disse...

Vc realmente é maravilhoso...adorei Deluxe, Fabergé, sem falar em Washington Olivetto, parabéns pela sua definicão de São Paulo...Seu blog é de um luxo...Beijos carinhosos!